Os anúncios do Super Bowl sempre foram muito mais que pausas comerciais: eles são o evento dentro do evento. Marcas que conseguem fazer uma campanha memorável nessa noite não só alcançam dezenas de milhões de olhos como entram na conversa cultural por semanas depois da bola cruzar a linha. Em 2026, essa dinâmica está prestes a ficar ainda mais intensa — e alguns dos movimentos que já estão sendo anunciados dão pistas sobre para onde o marketing vai caminhar.

O Super Bowl LX, marcado para 8 de fevereiro de 2026, já tem seu inventário de anúncios completamente vendido, um sinal evidente de que marcas — gigantes e disruptivas — continuam tratando esse espaço como um dos investimentos estratégicos mais valiosos do ano. A NBCUniversal, responsável pela transmissão, negociou os espaços com valores que giram na casa dos 7 a 8 milhões de dólares para 30 segundos de exibição, um recorde que reflete a demanda feroz em um cenário em que a visibilidade de massa é cada vez mais fragmentada.
As apostas que já estão definidas
O tracker que está sendo atualizado diariamente identificou uma mistura poderosa de veteranos e novatos — marcas que voltam ao Super Bowl com estratégias refinadas e outras que veem esse momento como uma chance de entrada estrondosa em mercados competitivos. Alguns destaques:
-
Bosch, após sua estreia no jogo anterior, retorna com uma campanha que reforça sua presença nos Estados Unidos enquanto tenta transformar reconhecimento em preferência real de compra.
-
Dove, que já usou o palco do Super Bowl para falar de temas sociais relevantes, segue a trilha ao focar novamente na confiança corporal e apoio às atletas femininas, ampliando o impacto emocional da marca.
-
Ferrero e sua marca Kinder Bueno fazem sua estreia na programação com uma aposta em presença e sabor, sinalizando que até categorias tradicionais podem usar esse espaço para reposicionamento ou crescimento.
-
Liquid I.V. entra pela primeira vez com uma mensagem que vai além de hidratação — buscando conectar com experiências cotidianas de bem-estar.
-
Svedka Vodka, com sua abordagem criativa envolvendo dança e engajamento social pré-evento, mistura nostalgia e inovação de forma estratégica.
-
Continue aparecendo no radar Ritz, Hellmann’s, Homes.com e até Manscaped, mostrando que tanto marcas clássicas quanto emergentes veem no Super Bowl uma chance de ouro para captar atenção massiva.
O Super Bowl não é um campo de prova apenas para produtos de consumo rápido. A presença de empresas de tecnologia, bebidas, alimentos, serviços e até cuidados pessoais revela que a competição pela atenção do público atravessa categorias completas do mercado.
O que isso diz sobre a mentalidade das marcas em 2026
Se há algo claro em todas essas apostas é que as empresas não querem apenas aparecer pelo enorme alcance do Super Bowl. Elas estão usando esse espaço estrategicamente para:
-
Mostrar relevância cultural, não só produto.
-
Conectar temas sociais com mensagens de marca que reverberam além do evento.
-
Testar narrativas que podem depois ser estendidas em campanhas digitais e sociais.
Isso é diferente de simplesmente pagar milhões por um intervalo de televisão. É posicionar um ativo de comunicação para trabalho contínuo, e não apenas um momento pontual.
Algumas das tendências que começam a se cristalizar incluem:
-
Narrativas que unem emoção e propósito, em vez de humor descartável.
-
Interatividade e engajamento pré-evento como forma de amplificar impacto (o caso de Svedka é um bom exemplo).
-
Repetição estratégica de marcas veteranas, que aprendem com dados de performance e afinam suas histórias com precisão. Captiv8
O impacto para quem trabalha com marketing
Esse movimento coletivo de marcas bem posicionadas no Super Bowl LX vai além daquilo que acontece na noite de 8 de fevereiro. Isso molda a forma como estratégias de topo de funil são pensadas para todo o ano. O que se observa é:
-
A necessidade de conectar campanhas de grande alcance com jornadas digitais segmentadas, para que o impacto do evento não desapareça após o último comercial.
-
A importância de alinhar mensagens emocionais com dados comportamentais, garantindo que cada dólar investido reverta em memórias e decisões — não apenas em visualizações.
-
A valorização de conteúdos que gerem conversa e participação ativa antes, durante e depois do jogo.
Uma dica que muitos times ainda deixam passar é conectar esse tipo de exposição de massa com sistemas que realmente transformam percepção em ação — métricas que vão além de visualizações para medir influência real em comportamento do consumidor.
Porque no final das contas, anúncios de milhões só valem a pena quando eles criam algo que vive depois do evento — seja preferência de marca, engajamento contínuo ou vantagem competitiva duradoura.