O presente de fim de ano que ninguém esperava: root beer em frasco

PepsiCo transforma um clássico em tendência cultural — e muda a forma de falar com a Gen Z.

Em um movimento que começa como brincadeira e termina como case estratégico, a Mug Root Beer, marca do portfólio da PepsiCo, decidiu reinventar seu papel no mercado neste fim de ano ao lançar uma colônia inspirada no aroma do próprio refrigerante — e está usando exatamente aquilo que a Gen Z mais valoriza para sustentar a campanha: social media, comunidade e autenticidade no ambiente digital.

O presente de fim de ano que ninguém esperava: root beer em frasco

Batizada de “Daddy’s Home by Mug Root Beer”, essa fragrância limitada chega justamente no momento em que a influência desse público jovem nas decisões de compra está mais clara do que nunca: segundo dados citados pela própria marca, 38% dos consumidores de fragrâncias são impulsionados pela Gen Z.

Mas a história vai muito além do produto em si — ela revela um novo jeito de pensar presença de marca na era social corporativa.

Uma estratégia que começa com cheiro… e termina com cultura pop

O lançamento foi ancorado fortemente no TikTok Shop, onde a colônia será vendida como parte de um bundle de fim de ano que inclui um pack de mini-latas de Mug Root Beer por um preço acessível.

O que poderia parecer apenas um truque criativo se torna uma jogada de mestre quando você olha para como a campanha está sendo estruturada:

  • A colônia tem notas que lembram tanto a identidade original do produto — baunilha, caramelo, cedro e sândalo — quanto um senso geral de nostalgia e conforto que gera conversa espontânea online.

  • A presença do mascote bulldog da marca e conteúdo com cães reforça a conexão emocional e amplifica a conversação natural em torno de pets — um dos temas mais virais em plataformas sociais.

  • A campanha inclui vídeos que satirizam comerciais tradicionais de perfume, criando uma narrativa que parece genuína em vez de apenas “tradicional”.

Essa combinação entrega algo que parece simples na superfície — um produto curioso — mas que, na prática, alinha produto, mídia e cultura de forma fluida.

O que isso ensina sobre o novo marketing para públicos jovens

O que a PepsiCo está fazendo aqui não é apenas gerar alguns cliques engraçados — é posicionar a marca em conversas reais, não em mensagens artificiais sobre desempenho ou sabor. A Gen Z se tornou expert em filtrar qualquer coisa que pareça “publicidade tradicional”, então o que funciona agora é quando a marca entra em narrativas que já existem — humor, comunidade, identidade e experiências sensoriais compartilháveis.

Em vez de dizer “compre nosso produto”, a Mug está dizendo, de forma implícita:
“Ei, nós falamos a sua língua — e estamos aqui para construir algo divertido junto com você.”

Esse tipo de abordagem tem três efeitos poderosos:

  1. Cria território cultural antes de criar transação. A presença vira referência, não só oferta.

  2. Conecta marca e produto com comportamento social orgânico. Quando as pessoas querem falar sobre algo, a marca vira parte da conversa.

  3. Transforma um produto simples em ativo de comunidade, não apenas em item de prateleira.

E é exatamente aqui que muitas marcas ainda tropeçam: em vez de olhar para o público como uma coleção de métricas, a Mug tratou a Gen Z como comunidade com interesses reais e linguagens próprias.

O que dá para aprender — e aplicar agora

Mais do que um produto excêntrico, essa iniciativa funciona como um manual silencioso de como criar relevância em uma era em que relevância não é comprada, é conquistada. A Gen Z não está lá só para observar — ela quer participar, rir, co-criar e sentir que tem agência sobre a cultura que consome.

Se você já lançou uma campanha que gerou comentários autênticos ou virou meme nas redes, sabe que isso é ouro. Se ainda não, pense nisso como um convite para olhar além do produto e focar na experiência que aquele produto entrega dentro da cultura digital.

Em outras palavras: o frasco de colônia pode ser pequeno, mas a mensagem por trás dele pode ser gigante — porque ela mostra que hoje o valor está em ser referenciável, compartilhável e contextual dentro do mundo que o público realmente vive.

Quer que a gente destrinche esse tipo de estratégia e veja como aplicar algo parecido na sua presença digital sem parecer “forçado”? Posso montar uma versão prática com exemplos e táticas.

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