Quando você pensa em Oreo, provavelmente lembra de cookies, leite e aquele momento de “twist, lick, dunk”. Mas a estratégia por trás da comunicação da marca está passando por uma transformação ainda mais profunda que um novo sabor ou embalagem. A Mondelez International, gigante global de snacks responsável por Oreo, Ritz, Chips Ahoy! e várias outras marcas, está investindo fortemente em uma plataforma de inteligência artificial própria, chamada AIDA (AI + Data), com uma missão ambiciosa: criar campanhas mais rápidas, baratas e afinadas com perfis de consumidor em escala global.

O desenvolvimento dessa tecnologia levou mais de dois anos e já consumiu mais de 40 milhões de dólares em investimento — um sinal claro de que a empresa endossa o potencial dessa abordagem como mais do que uma moda passageira. A ideia central é simples, mas poderosa: se os consumidores estão fragmentados em canais, linguagens e contextos diferentes, então os anúncios precisam falar diretamente com eles — e com velocidade e personalização que os métodos tradicionais não conseguem acompanhar.
AIDA: mais do que automação, é um motor de relevância
A plataforma AIDA foi projetada para acelerar a produção de conteúdo de marketing, reduzir custos e permitir que as equipes criem material promocional adaptado a públicos específicos com muito mais rapidez e eficiência. Até agora, isso já se traduziu em redução de 30% a 50% nos custos de produção de conteúdo, de acordo com executivos da empresa e relatos de mercado — uma economia substancial em um contexto em que as despesas com publicidade e agência seguem pressionadas.
O truque aqui não é apenas gerar posts ou peças repetidas infinitamente, mas utilizar dados reais de desempenho e comportamentos de audiência para ajustar criativos automaticamente, mantendo relevância e impacto. Isso significa repensar a cadeia tradicional de produção, que geralmente passa por agência, roteiro, aprovação, filmagem, edição e depois veiculação — um processo lento e caro. Com AIDA, parte dessa produção é acelerada ou refinada a partir de dados, sem perder o toque humano necessário para manter coerência de marca.
Isso já está sendo testado em campanhas reais para produtos como Chips Ahoy nos Estados Unidos e Milka na Alemanha, onde a ferramenta tem ajudado a criar variações de conteúdo otimizadas para contextos regionais e audiências diferentes.
Muito mais do que apenas redução de custos
O que torna essa aposta de verdade estrategicamente valiosa é que ela vai além de cortar custos. Em mercados maduros ou saturados, a diferença entre ganhar ou perder atenção muitas vezes está em quão rápido e com quanta precisão uma marca consegue responder ao contexto do consumidor.
A capacidade de gerar peças com velocidade e de personalizá-las de acordo com padrões culturais, plataformas ou comportamentos de compra pode fazer com que a Mondelez não apenas alcance mais pessoas, mas alcance as pessoas certas com a mensagem certa no momento certo.
Esse tipo de abordagem quebra o tradicional ciclo de esperar métricas semanais ou mensais para iterar campanhas. Em vez disso, permite que os times reajam em tempo quase real, ajustando narrativas, variações e formatos com menos dependência de cronogramas rígidos e orçamentos inflados de produção.
O equilíbrio entre automação e toque humano
Um ponto crítico — e que muitas empresas ainda ignoram ao implementar tecnologia — é que Mondelez não está simplesmente substituindo equipes criativas por máquinas. A empresa enfatiza que toda produção gerada pela plataforma passa por supervisão humana antes de ser divulgada, e que há esforços deliberados para manter integridade de marca e evitar exageros que podem alienar consumidores (por exemplo, evitar representações que promovam consumo excessivo ou mensagens fora do tom).
Isso significa que a tecnologia funciona como um amplificador da capacidade humana, e não como um substituto. As equipes de marketing colaboram com AIDA para experimentar mais, testar variações rapidamente e aplicar aprendizados em ciclos curtos — algo que até recentemente exigia orçamentos e prazos muito maiores.
Por que isso importa para o marketing em 2026
Essa iniciativa da Mondelez vem em um momento em que as marcas estão sob pressão para mostrar ROI real em marketing, personalizar mensagens com mais precisão e cortar ineficiências em produção de conteúdo. Em vez de encarar inteligência artificial como uma caixa preta ou moda, a empresa a integrou como infraestrutura estratégica de marketing, alinhando criatividade, dados e eficiência operacional.
E isso traz um insight que qualquer equipe pode aplicar hoje:
não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor — com velocidade, contexto e dados de audiência guiando decisões criativas.
A Mondelez pode ser uma gigante global, mas a lógica por trás da sua aposta é relevante para marcas de todos os tamanhos: se você consegue articular uma forma sistemática de capturar o que o público responde e traduzir isso em variações de mensagem com agilidade, você está entregando valor muito além de cliques — está conquistando relevância contínua em um mercado cada vez mais fragmentado.