Os números que mostram como Gap reconquistou Gen Z

Gap transformou marketing viral em crescimento de vendas — os números que explicam o novo playbook.

Gap estava num caminho difícil — uma marca veterana, ícone dos anos 90 e 2000, que parecia ter perdido espaço no guarda‑roupa da nova geração. Mas neste ano, a empresa virou a narrativa não só com uma campanha criativa, mas com uma estratégia que conecta cultura, conteúdo e consumo de maneira direta — e trouxe retorno real nas prateleiras e na receita.

A prova está nos números: no terceiro trimestre fiscal de 2025, a Gap reportou um crescimento de 7% nas vendas comparáveis ano a ano, um salto significativo que marca o oitavo trimestre consecutivo de crescimento para a marca principal — algo raro para uma varejista que estava lutando para manter relevância cultural e comercial.

Mas o que provocou esse movimento positivo de verdade foi a campanha “Better in Denim”, que se tornou um fenômeno viral nas redes sociais e nas conversas culturais. Essa campanha gerou mais de 8 bilhões de impressões em mídia e mais de 500 milhões de visualizações em plataformas sociais, atingindo um nível de visibilidade que poucas ações de marketing conseguem alcançar — e levando a Gap a subir dois lugares no ranking dos principais varejistas de denim adulto nos Estados Unidos, chegando à 6ª posição no setor.

O que está por trás desses números

A campanha Better in Denim teve um elemento que faz muita diferença hoje: cultura pop como motor de conversão. Em vez de apenas promover produtos, a Gap utilizou a energia de um grupo musical em ascensão — Katseye — dançando ao som de um clássico dos anos 2000 (Milkshake, de Kelis), criando um conteúdo que pareceu nascer nas conversas do público, não como uma peça tradicional de publicidade.

O resultado? Integração entre plataformas sociais, música, nostalgia e relevância pop que não só colocou a marca na frente dos olhos da Gen Z, mas também direcionou tráfego qualificado para lojas e e‑commerce, impulsionando categorias como denim — que viu crescimento de dois dígitos diretamente associado à resposta do público à campanha.

Executivos da Gap confirmaram ainda que a estratégia faz parte de um playbook atualizado da marca que combina produto certo, narrativa cultural e distribuição social inteligente — um modelo que eles planejam replicar e expandir com outras ativações.

Por que isso importa para quem trabalha com marketing

O caso da Gap serve como um lembrete poderoso: viralidade sem conexão cultural é apenas ruído. Para que uma campanha viral gere resultado de varejo mensurável — não só visualizações ou likes — ela precisa entrar no contexto de significado do público e criar impulso que ressoe além da tela. Aqui estão algumas lições que emergem diretamente desse movimento:

  • Conteúdo com DNA cultural converte melhor: quando um ativo parece “parte da conversa”, ele não ergue barreiras — ele convida ao engajamento e à ação.

  • O poder do mix correto de canais: viralizar no TikTok ou Reels é ótimo, mas direcionar esse tráfego para conversão real de varejo é o que separa campanha memorável de campanha lucrativa.

  • Relevância não pode ser comprada — precisa ser construída: escolher parceiros criativos (como artistas em ascensão) e alinhar isso com produto e timing pode transformar percepção em comportamento de compra.

Uma insight extra que muitos times ainda não internalizam é que essa abordagem vira infraestrutura estratégica, não apenas tática isolada. Pensar em marketing viral como parte de um sistema que combina dados de audiência, narrativa cultural e caminhos de compra normalmente entrega crescimento sustentável, não picos pontuais.

Esse é o tipo de transformação que move marcas de espectadoras para protagonistas — exatamente o movimento que a Gap conseguiu fazer ao traduzir um viral em crescimento de vendas real, não apenas números de alcance.

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